O que é a Conservação?

Nesta página consta uma interpretação geral do trabalho técnico desenvolvido pelos conservadores de arte e o que é a conservação e restauro.

Toda a matéria sofre alterações naturais com a passagem do tempo e interacção com os elementos. Tais alterações poderão ter origem química, biológica e física e diferentes agentes, internos e externos.

 “The most revealing form of examination of artworks, is looking.”

Ashok Roy 1998

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A figura do conservador surge como o especialista que pode tratar os objectos danificados. É o conservador quem pode auxiliar e aconselhar proprietários e entidades de custódia no manuseamento e tratamento dos bens culturais.

O que faz um conservador? São detectives? Cientistas? Artistas? Médicos?

O conservador tem o conhecimento e a experiência, gerais e específicas de cada material e técnica construtiva e artística, para saber o que fazer e também o que não fazer para prolongar a materialidade de um bem.

Recorrendo à sua observação e justificadamente a exames e análises ele saberá caracterizar um bem, diagnosticar o seu estado de conservação e atender às suas necessidades, através de acções directas como a conservação e restauro ou indirectas – conservação preventiva.

O conservador restaurador alia o seu conhecimento e experiência para ir ao encontro das expectativas do cliente, no sentido da preservação material de um bem, sempre orientado pelo código de conduta da profissão que define os limites da intervenção de modo a que não se comprometam a sua autenticidade histórica e artística. O restauro amador normalmente não se rege por princípios éticos, potenciando o risco de causar mais danos, de destruir informação importante e de denegrir a autenticidade histórica do objecto – o que nós, conservadores, chamamos de unidade potencial.

A conservação apoia-se em diversos critérios éticos, descritos em documentos como a carta de Cracóvia, uns mais específicos que outros. Eis alguns exemplos de princípios abrangentes, mas basilares, na tomada de decisões:

“Menos é Mais” – Princípio da intervenção mínima. Demasiada intervenção poderá levar a perda de informação sobre como o objecto foi feito e o que aconteceu no seu percurso. A intervenção de conservação e restauro não implica que o objecto seja devolvido ao seu aspecto inicial aquando da sua produção.

 “Respeito pela história do objecto” – A preservação do objecto não passa apenas por tratar o material original. Reparações históricas e modificações, tal como sinais de uso e idade, têm um papel fundamental na validação da autenticidade do objecto e no seu significado histórico.

“Estabilidade dos materiais de conservação” – Os materiais usados pelo conservador devem, tanto quanto possível, serem passíveis de remoção no futuro e não poderão contribuir para futuros estragos ao objecto. Na verdade, muitos materiais comummente encontrados no mercado como detergentes, químicos, plásticos, colas, vernizes, etc. violam este critério.

“Diferenciação do restauro” – Embora muitos tratamentos sejam perfeitamente invisíveis aos olhos de um leigo, deverão ser sempre reconhecíveis ou visíveis após análise pormenorizada. A diferença entre o material original e a intervenção do conservador deve ser visível ou destrinçável.

“Documentação” – Em continuidade com o ponto anterior, os conservadores realizam um acompanhamento escrito, fotográfico e gráfico de todo o seu trabalho, documentando a condição do objecto antes, durante e depois do tratamento, assim como o tratamento em si. Esta informação deverá ser disponibilizada e servirá como referência do que foi feito para o proprietário, investigadores, historiadores, outros conservadores e em futuras intervenções.

“Prevenção” – A conservação preventiva inclui acções realizadas principalmente no ambiente ou espaço onde o objecto se encontra, com o intuito de minimizar danos por choque, vibrações, vandalismo, roubo, incêndio, água, pó, poluição, pestes, radiações ultravioletas, temperatura e humidade. Os conservadores têm uma ampla oferta de medidas preventivas à sua disposição. Esta faceta encontra-se na base da preservação de qualquer bem cultural. Idealmente, é o “tratamento” com os melhores resultados a longo prazo em termos da salvaguarda e preservação física do objecto.

Ver mais detalhadamente quais as responsabilidades do conservador na página Ética.